Publicada em 18/09/13

O Brasil não precisa de médicos estrangeiros

O Brasil não precisa de médicos estrangeiros porque tem médicos em quantidade suficiente para atender todas as regiões, incluindo as comunidades ribeirinhas e indígenas, além das regiões de fronteira. O que o Governo federal precisa fazer é incentivar os médicos com bons salários para que possam atender essas demandas existentes, garantir maior quantidade de vagas para residências médicas e especializações, além de criar mais vagas para a formação de médicos, contribuindo diretamente para aumentar o número de bolsas FIES/PROUNI, sem muitas exigências para a liberação do financiamento.

Estão chegando ao Brasil médicos estrangeiros sem qualificação, sem experiências para diagnosticar as doenças peculiares a cada uma de nossas regiões, principalmente da dengue e da malária. O idioma é outro fator que certamente será um grande peso para a nossa população que não entende o idioma dos médicos que chegam ao país. Será que a população de baixa renda deve ser penalizada, sendo obrigada a ser atendida por esses grupos de médicos sem a devida qualificação?    

O Governo federal até o momento não divulgou os custos desses médicos para residirem no Brasil, levando em conta fatores como passagem aérea, moradia e salários, além da empresa responsável para trazer esses profissionais. O Governo teve o cuidado de equipar os hospitais e postos de saúde com equipamentos, medicamento e material de consumo? Temos a certeza que não. Sabemos que é um projeto eleitoreiro. E quem será responsabilizado pelos erros contra a saúde da nossa população, já que os médicos estrangeiros não têm registro no conselho de classe. Quem vai pagar? Como irão prescrever antibióticos, medicamentos controlados se não têm o devido registro, levando em consideração que existe uma lei federal que torna obrigatório constar nas receitas, atestado carimbo e assinatura nos respectivos receituários? É necessário que haja o mínimo de senso crítico e ético por parte do Governo federal, tendo em vista que essa iniciativa pode causar efeito contrário e poderá penalizar a própria população por conta da ilusão de um atendimento que tende a não ser o esperado.

Os médicos formados no Brasil apenas precisam ser motivados, principalmente do ponto vista financeiro, diante das dificuldades que sabemos que existem nas regiões mais carentes de infraestrutura em nosso país continental. Todo trabalhador precisa ser motivado e não existe motivação maior que um salário condizente. Precisamos estar muito atentos aos efeitos dessa medica essencialmente política adotada pela presidente Dilma Rousseff porque é a saúde da população que está em jogo. Com saúde não se brinca e, de forma irresponsável, o Governo federal está brincando. 



Dr. Amado Ahamad Rahhal é médico ginecologista, ex-diretor do Hospital de Base Ary Pinheiro e do Hospital João Paulo II.