Publicada em 12/01/17

Camada de Oz˘nio recupera-se

Em julho passado, pesquisadores publicaram um estudo sobre o buraco de ozônio na Antártida, e inferiram que o buraco vai ser eliminado no final do século. O buraco de ozônio na Antártica é visível no final de agosto e se expande para seu tamanho máximo em outubro. Começou a ser monitorado na década de 1980. O tamanho do buraco de ozônio muda de acordo com a luz solar, temperatura e condições de nuvens estratosféricas. Os vulcões também desempenham importante papel no tamanho do buraco.
 
Diversos estudos determinaram que setembro é o mês mais representativo do buraco de ozônio. Desde 2000, o buraco de ozônio diminuiu 4,5 milhões de quilômetros quadrados, cerca de um sexto do tamanho máximo já atingido. A recuperação do ozônio depende da degradação dos clorofluorocarbonos (CFC). Não custa lembrar que eles foram banidos no Protocolo de Montreal que proibiu compostos clorados em refrigerantes de ar-condicionado e aerossóis.
 
Esse é o melhor exemplo de boa vontade política. O buraco na camada de Ozônio foi observado pela primeira vez em 1985. Já em 1987, o Protocolo de Montreal foi preparado por líderes internacionais e assinado em 16 de setembro de 1987, dia que é comemorado todo ano como Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. Foi uma cooperação internacional excepcional e deveria ser exemplar para outros problemas da humanidade.
 
No final do ano passado, outros cientistas publicaram estudos com diversas datas para o fim do buraco, situando entre 2050 e 2070. Mas nem tudo é boa notícia, já que o ozônio é um gás de efeito estufa e pode ter efeitos negativos sobre o aquecimento global.
 
Alguns efeitos dos danos na camada de ozônio só foram entendidos nos últimos anos. Descobriu-se que o ozônio influencia nos padrões de vento e chuva, na circulação oceânica e na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Em um estudo publicado na Revista Science, cientistas da Universidade Estadual da Pensilvânia observaram que a camada de ozônio empobrecida é a principal razão para o movimento da corrente do jato sul em direção ao polo. E o efeito que esse movimento tem é claramente visível nos padrões de chuvas incomuns nos subtrópicos.
 
Uma possível explicação é que a absorção da radiação ultravioleta pelo ozônio aquece a atmosfera e o declínio no ozônio, portanto, leva a menos absorção e menos aquecimento, o que esfria a estratosfera polar inferior, que, consequentemente, influencia os ventos na troposfera.
 
Em outro estudo, cientistas climáticos da Universidade Johns Hopkins, verificaram que o buraco na camada de ozônio amplifica as correntes oceânicas, movendo para o Equador a água do fundo do oceano que foi movida até a superfície no polo. As águas profundas são ricas em carbono devido à matéria orgânica morta, acabam absorvendo menos carbono que as águas de superfície, afetando o ciclo do carbono.
 
Isso ilustra bem a complexidade do Clima e mostra que quem não é da área e emite opiniões contra o aquecimento global apenas assina o atestado de burrice. Coloquei de lado minha convicção infantil de que a Terra é autorregulada e passei a escutar meus colegas climatologistas do INPE, um passo para salvar a Terra!
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.